5 de abril de 2013

Édouard Manet, O Tocador de Pífaro


Édouard Manet, O Tocador de Pífaro
Óleo sobre tela, 160,5 x 97 cm, 1866

O Tocador de Pífaro surge após a visita de Édouard Manet a Espanha, em 1865, onde viu o Retrato de Pablo de Valladolid de Diego Velázquez, com o qual ficou impressionado, dizendo sobre ele: “É a pintura mais espantosa já feita. O fundo desaparece: é ar que circunda a figura vestida de preto e cheia de vida”. Ao regressar a Paris, Manet aplicou esse princípio em O Tocador de Pífaro.
 
Uma tela contém apenas duas dimensões (a altura e a largura), o que quer dizer que quando queremos criar a terceira dimensão (a profundidade) precisamos de recorrer a sistemas como a perspectiva linear ou a perspectiva atmosférica para criarmos a ilusão da profundidade. Encontramos essa ilusão naquilo que se pode chamar de quadro-janela (por exemplo, a Paisagem com o Château de Steen, de Rubens, c. 1636). Um quadro-janela mostra profundidade como se estivessemos a observar através de uma janela. Nós podemos, em teoria, entrar para dentro de um quadro-janela e movermo-nos livremente no seu interior porque foi nele criado um espaço tridimensional. Ora, isso é algo que não acontece em O Tocador de Pífaro. Nesse quase não conseguimos entrar por nos ser vedada a profundidade, o que quer dizer que o espaço tridimensional criado nesta pintura é (quase) inexistente. Manet respeitou a bidimensionalidade da tela, não criando a ilusão da profundidade. O fundo parece tão sólido e próximo de nós como a figura. Nós olhamos para esta pintura e não através dela, como acontece com um quadro-janela. Sobre este fundo praticamente plano e vertical, foi colocada a figura, essa com aspecto realístico, mas parecendo como que colocada num espaço (quase) bidimensional e não num espaço tridimensional, como acontece no nosso mundo quotidiano.
 
Origem da imagem: Musée d'Orsay